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Otávia recomeçou a desenhar. Um cacho fofo de cabelo resvalou-lhe pelo rosto.

– Conrado está cada vez mais bonito e Letícia cada vez mais feia... E acrescentou com uma vozinha polida: – Ninguém acredita que aqueles dois são irmãos, incrível. Cada dia que passa ela vai ficando mais magra, parece sabonete.

– Mas ela já era tão magrinha – arriscou Virgínia habilmente. Notou que Bruna, há pouco tão ressentida, animara-se de repente. – Piorou então?

– Piorou – gemeu Otávia, mordiscando a ponta do lápis. – Virou um menino tão sem graça, ih!

Virgínia desviou o olhar para a boneca. Então descobriu: Bruna não gostava de Letícia, devia ter havido alguma coisa entre ambas. E Otávia valia-se disso na tentativa de reconciliação.

– Não acho que tenha piorado propriamente – começou Bruna afetando cansaço. – De fato, emagreceu e está alta demais, parece um rapazinho.

– Ah, Bruna! – exclamou Otávia abrindo mais os olhos claros. – Não existe no mundo ninguém tão sem graça, você sabe disso. Voltou-se para Virgínia: – Domingo fomos à chácara de Afonso e inventámos umas danças. Você precisava ver a pobre a rodar com aqueles braços e pernas que não acabam nunca, se enroscando inteira como uma aranha... Os cabelos são bonitos, concordo. E joga bem tênis. Mas não lhe peça mais nada.

Bruna tentou recuperar a expressão dignamente magoada. Não conseguiu. Deliciava-se.

– Afonso não gostaria de ouvir você falar assim...

– Por que Afonso não gostaria? – repetiu Otávia. candidamente. – Mas se ele foge o tempo todo dela!... Eu sei em quem ele está interessado, eu sei.

 

LYGIA FAGUNDES TELLES